Mais de 200 servidores participaram de live sobre impactos das apostas e jogos

06 out, 2026

Mais de 200 servidores participaram de live sobre impactos das apostas e jogos

Encontro promoveu conscientização sobre os riscos dos jogos e integrou as ações do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio e valorização da vida 

A facilidade de acesso às apostas on-line, impulsionada principalmente pela possibilidade de ganho rápido, tem provocado impactos na vida financeira, profissional e pessoal de pessoas em todo o mundo. No Brasil, cerca de 7,3% da população com 14 anos ou mais — aproximadamente 10,9 milhões de pessoas — apostam de forma que gera prejuízos pessoais, profissionais ou financeiros, segundo o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III).

O tema, de fundamental relevância, foi abordado durante uma live realizada por iniciativa da Secretaria Municipal de Gestão, e que reuniu mais de 200 servidores da Prefeitura de São Paulo, na sexta-feira (25). O encontro teve como objetivo ampliar a conscientização sobre os impactos das apostas e dos jogos e integrou as ações do Setembro Amarelo.

O médico psiquiatra Leonardo Carriço, colaborador do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, apresentou informações sobre o transtorno relacionado aos jogos e os impactos provocados pelo comportamento de apostar de forma compulsiva.

“Atualmente temos 10 critérios para os diagnósticos de indivíduos com vício em jogos, geralmente a pessoa utiliza a motivação como caça, uma busca para recuperar o prejuízo”, explicou o especialista. Entre os comportamentos mais frequentes para os compulsivos, está a tentativa de recuperar perdas anteriores, o que pode levar a um ciclo de apostas cada vez maiores.

Dados apresentados pelo médico também chamaram a atenção para o custo social das apostas no País. De acordo com pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), os impactos associados às apostas e aos jogos de azar representam um custo social anual estimado em R$ 38,8 bilhões, enquanto a arrecadação é de aproximadamente R$ 6,8 bilhões.

Impactos na vida pessoal e profissional 

Assim como ocorre em outros transtornos relacionados à dependência, os impactos não ficam restritos à pessoa que aposta. Segundo o médico, para cada indivíduo afetado, outras seis pessoas, em média, também podem sofrer consequências.

Os reflexos podem aparecer em problemas financeiros, dificuldades nos relacionamentos e no ambiente profissional e familiar. Alterações no sono, por exemplo, podem comprometer o desempenho no trabalho.

O tratamento, segundo Carriço, deve envolver a família e, em alguns casos, medidas para limitar o acesso do indivíduo aos recursos financeiros utilizados nas apostas.

Rede de atendimento 

Na sequência, a diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, Cláudia Longhi, apresentou a estrutura da rede municipal de atenção psicossocial e explicou como buscar atendimento.

“A UBS é a porta de entrada para todos os casos de transtorno”, explicou. Segundo a diretora, a rede municipal conta com 105 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), incluindo unidades voltadas ao atendimento de pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas e unidades destinadas ao público infantojuvenil.

Durante a live, também foi informado sobre a futura parceria com o professor e médico psiquiatra Hermano Tavares, fundador do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico (PRO-AMJO), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. A iniciativa prevê a oferta de especialização aos profissionais da rede municipal de saúde para ampliar a capacidade de atendimento aos casos relacionados ao transtorno do jogo.

Clique no link para assistir a live: https://youtu.be/9BrKpNUChAM

Fonte: Prefeitura de SP – 25/09/2026

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